Cana de açúcar, o doce amargo de uma produção

Temos origem na colonização do nosso querido Brasil, onde alguns corajosos europeus, em sua grande maioria portuguesa, deixaram suas vilas no continente mais desenvolvido na época, para enfrentar todos os tipos de dificuldades como, as graves deficiências sanitárias deixando-os expostos a vários tipos de enfermidades oriundas da hostil e úmida Mata Atlântica, desde os invisíveis e desconhecidos vírus e bactérias até animais peçonhentos e feras carnívoras, que além de transmitirem doenças, levavam mutilações e até morte para esses pioneiros. A precariedade e isolamento das suas habitações, transporte somente em lombos de animais, não os desviaram do firme propósito de desenvolver um novo negócio nas terras recém descobertas, que serviram de embrião para novas vilas.

Impulsionados pelo espírito do empreendedor, esses bravos neobrasileiros criaram uma ligação com a terra, transformando a nômade cultura de exploração em um negócio econômico permanente. Ao longo desses quase quatro séculos atravessamos diversos tipos de adversidades e obstáculos que deixaram mortos, feridos, perdedores e vencedores. Para os vencedores prevaleceu à velocidade com que se adaptaram às novas condições, acompanhando as transformações da humanidade, como também a visão futurista nas adversidades, aproveitando as oportunidades que o tempo impõe.

Hoje trabalhando em uma empresa com quase trezentos anos, que sobreviveu a várias divisões societárias ao longo de gerações e as diversas transformações das condições naturais, legais e empresariais, somando-se as várias guerras, revoluções e crises vividas nesse longo período.  Estamos encarando talvez a maior e mais veloz mudança de todas; as grandes transformações tecnológicas do agronegócio e a dificuldade de implantá-las dentro das difíceis condições de produção em nosso Estado.

Pernambuco foi a próspera porta de entrada da cana de açúcar para o Brasil e deverá se manter como exemplo de trabalho árduo, ética e enfretamento às adversidades.

Com o aumento dos diversos custos operacionais e colaterais, impostos diariamente à indústria nacional, o Brasil vem perdendo a competitividade em relação ao mundo, principalmente se comparado aos USA e países asiáticos, agravando ainda mais nas atividades que utilizam mão de obra intensiva, como é o caso do setor sucroenergético de Pernambuco.

Porém o nosso espírito de incansável trabalhador nordestino, faz com que procuremos soluções para continuar plantando e produzindo nessas terras, gerando riquezas para essa difícil região.

Acuados pela grande crise de 2014, iniciamos um projeto ousado e arrojado que movimentará todas as nossas áreas de trabalho.

Para esse planejamento de inovação incluímos:

  • Em 2015 a implantação da cultura do eucalipto nas encostas com alto declive.
  • Em 2016 o programa intensivo e constante de desenvolvimento de líderes gestores, através de empresas de desenvolvimento humano.
  • Em 2017 desenvolvimentos de novos produtos e novos modelos de oferta ao mercado.
  • Em 2018 a implantação do plantio de cana em área irrigada através de gotejamento.
  • Em 2019 criamos parcerias com centros de tecnologia de Pernambuco somados aos centros tecnológicos de produção de novas variedades de cultivares do sudeste, começamos a conhecer novas possibilidades, para enfrentamento das nossas deficiências.

Ainda falta muito para que possamos alcançar o rápido desenvolvimento do Sudeste e Centro Oeste, mas como trazemos em nosso sangue o mesmo DNA dos nossos primitivos produtores do cobiçado e precioso açúcar, possuímos o natural ímpeto da sobrevivência, para enfrentarmos desafios expostos por todas as adversidades, que trocam de rostos, cores, vestes e posições a cada ciclo, época e tempo.

por Jorge Cavalcanti de Petribú  – Artigo escrito em Nov/19 para Edição 50 da Terra Magazine

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