Homenagem aos ancestrais na Noite dos Tambores Silenciosos

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Como acontece todos os anos, a festa que reverencia os antepassados negros que sofreram durante o período da escravidão, promete emocionar o público do Pátio do Terço. O som forte dos tambores ecoa, toma o corpo e envolve a todos num misto de magia e emoção. É A Noite dos Tambores Silenciosos que chega a sua 56º edição, na segunda-feira de Carnaval. A festa vai reunir as Nações de Maracatu de Baque Virado, a partir das 20h.

O local onde acontece a festa não é por acaso. O Pátio do Terço carrega a história dos antepassados negros, em cada metro quadrado do espaço. Lá funcionava um dos primeiros terreiros nagô de candomblé em Pernambuco. O lugar também era utilizado como espaço para venda de escravos, ou mesmo para enterrá-los após a morte. E muitos morreram lutando, amarrados, açoitados brutalmente pela mão dos feitores.

HISTÓRICO – Uma discreta reverência, em homenagem prestada aos que morreram  -os eguns – com a presença de maracatus tradicionais como o Leão Coroado e o Elefante de D. Santa, marcava o início da festa. Isso foi até 1968, quando o jornalista e sociólogo Paulo Viana, estudioso das questões negras e conhecedor dos Xangôs do Recife, transformou a noite em espetáculo. Hoje em dia, A Noite dos Tambores Silenciosos é um dos momentos mais aguardados do Carnaval. Uma evocação que se revitaliza a cada ano, e encanta o público pela sua força e beleza.

Quando os tambores silenciarem à meia-noite da segunda-feira de Carnaval e as luzes se apagarem no Pátio do Terço, todos aqueles que morreram na luta, que fizeram parte deste triste capítulo da história da humanidade chamado escravidão, serão reverenciados neste ritual. A noite também é para festejar a cultura afro, deixada pelos nossos antepassados e que resiste ao tempo, se mantendo vivia através desses encontros.

Foto: Andre Nery / Arquivo-PCR

 

 

 

 

 

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