Medicina do futuro no tratamento da cegueira

 

A visão funciona através do processamento de dados recebidos pelo encéfalo, por intermédio dos receptores sensoriais ativados pela luz. O Glaucoma é uma doença ocular que provoca comprometimento visual e que pode levar à cegueira, se não for tratada adequadamente. E essa realidade está cada vez mais presente no dia a dia da população moderna de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) que apontam que 65 milhões de pessoas são portadoras do problema em todo o mundo.

De acordo com o levantamento do censo 2018 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mais de 2,5 milhões de portadores do problema são brasileiros, o que leva a sociedade médica a se preocupar com a questão. Afinal, muitos desconhecem o que provoca a doença e como sua chegada é sorrateira na vida das pessoas. O glaucoma é provocado por uma lesão no nervo óptico e campo visual, em decorrência do aumento da pressão ocular. Na maioria dos casos, existem fatores de riscos que podem ser observados para constatar sua predisposição nos pacientes como histórico familiar (pais e outros membros da família), pressão ocular um pouco alta e escavação no nervo ótico, que podem ser detectados com exames específicos. “Grande parte da população pode apresentar essa predisposição para o Glaucoma ou fatores de risco da doença que precisam ser acompanhados e controlados, pois esta é uma doença que não tem cura. Contudo, pode ser controlada. E, quando não se é tratada, pode levar à cegueira e, por isso, é uma das maiores causas da perda de vista”, destaca o médico e cirurgião oftalmologista João Luiz Vilaça, do Hospital da Visão de Pernambuco (HVISÃO).

De acordo com o especialista, como o Glaucoma é uma doença “silenciosa”, cujos sintomas não estão associados à dor, os pacientes só se queixam numa fase avançada, quando de fato surgem sinais mais claros do problema, que o torna irreversível com a perda da visão periférica. Por isso, é fundamental a realização dos exames oftalmológicos periódicos, pelo menos uma vez ao ano, principalmente se o paciente tiver história de Glaucoma na família, tiver com mais de 40 anos, for diabético, ou usuário crônico de medicamentos que possam aumentar a pressão do olho, como, por exemplo, corticoídes. Com a identificação do quadro médico, o paciente é submetido ao tratamento que, em um consenso da Sociedade Brasileira de Glaucoma, deve sempre que possível ser realizado inicialmente com o uso de colírios, laser ou cirurgia.

Alguns pacientes têm escolhas limitadas de medicamentos devido a alergias a soluções, ou devido a problemas adicionais que impedem seu uso como problemas cardíacos e respiratórios graves.

“A grande maioria do Glaucoma é tratável com colírios. Entretanto, há casos e tipos mais agressivos que, mesmo com o uso de dois ou três colírios, não são controláveis, que chamamos de Glaucoma Refratário. E, nesses casos, é necessária a realização de procedimentos cirúrgicos para fazer esse controle e manter a visão”, comenta. E, de fato, existem vários condicionantes com relação ao tratamento do problema que, para o Ministério da Saúde, é considerado a principal causa de cegueira irreversível, como enfatiza Vilaça: “Muitas vezes os colírios não reduzem a pressão para níveis desejados, ou apresentam efeitos colaterais intoleráveis ao paciente, como secura ocular, olhos vermelhos e embaçamento da visão. O alto custo de alguns colírios também diminui a adesão do paciente ao seu uso. Nesses casos, pode ser indicado o laser como alternativa de tratamento eficiente e seguro, e sem os transtornos do uso dos colírios, que geralmente teriam que ser usados durante toda a vida”.

Uma vez que ultrapassa 70% o número de pacientes que utilizam mais de uma medicação (informação da Sociedade Brasileira de Glaucoma – SBG), o uso do laser atualmente tem se configurado como uma alternativa mais segura e menos invasiva. O procedimento não implica em perfuração do olho, não oferecendo risco de sangramento ou infecção; a recuperação é rápida e os cuidados do médico costumam evitar complicações indesejadas. Sendo assim, o tratamento a laser está se configurando como um tratamento de ponta e de grande confiança para os pacientes que buscam uma solução para reduzir a pressão ocular e impedir a expansão do Glaucoma. É um método eficaz que pode trazer ótimos resultados principalmente para aqueles casos de maior dificuldade, possibilitando inclusive que o paciente volte às suas atividades corriqueiras no dia seguinte, já que não envolve incisões ou cortes.

A técnica, que é pioneira e utiliza tecnologia de ponta, é chamada “Cyclo G6” e utiliza um sistema micropulsado (primeiro no mundo para o tratamento do problema), na qual o órgão recebe ação de uma sonda ligada a um laser infravermelho, através de uma fibra ótica, que realiza um processo de cicloablação do corpo ciliar. “Toda cirurgia invasiva tem riscos e não conseguimos prever os resultados, mas o laser é um tratamento mais previsível. A cirurgia a laser dura cinco minutos, na qual passamos a sonda externamente na região do olho em ondas de 180 graus. E com esse procedimento conseguimos baixar muito a pressão ocular, deixar o paciente livre do colírio e protegê-lo da cegueira. Infelizmente, não é possível a cura do Glaucoma, como no caso da Catarata, em que existe a probabilidade de correção total com uma operação ocular”, enfatiza. Atualmente, para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tratamento já está disponível como método bem sucedido para o controle do Glaucoma, que poderá atingir mais de 80 milhões de pessoas no mundo até 2020. Como não é possível eliminar o Glaucoma, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado, como o laser, acaba se enquadrando como a melhor maneira de conter o avanço da doença.

por Ivelise Buarque

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