Oftalmologista alerta para problemas irreversíveis em uso da cloroquina profilática

Segundo a especialista Ana Karina Téles, do Centro de Olhos, em Boa Viagem, a medicação, que causou uma verdadeira corrida às farmácias como suposta prevenção ao coronavírus, pode causar dificuldade de leitura e até manchas no campo visual central, entre outras complicações 

 Em tempos de quarentena e todo o excesso de cuidados com a saúde ainda não ser o bastante, a população mundial correu em busca de um medicamento que, mesmo sem provas científicas de seu uso contra o coronavírus, foi propagado como milagroso para evitar o contágio diante da pandemia. O composto químico, que tem as versões cloroquina e hidroxicloroquina, pode trazer uma série de problemas em quem usa sem prescrição médica, sendo os olhos uma das regiões mais afetadas assim como alerta a oftalmologista Ana Karina Téles, do Centro de Olhos, em Boa Viagem.

Como a medicação é para tratar patologias desde lúpus eritematoso, malária, amebíase hepática e até artrite reumatoide, entre outras, com concentrações moderadas, há consequências para quem investe sem cuidados, dispensando da análise da saúde como um todo, principalmente os portadores de doenças crônicas e outras sensibilidades no organismo. “A cloroquina tende a ser mais perigosa do que a hidroxicloroquina. Pode facilitar alterações irreversíveis na retina através da toxicidade das células ganglionares, além de danos ao epitélio pigmentar da retina, inclusive após a suspensão de uso. Os sintomas são silenciosos e podem não aparecer de imediato, mas geralmente envolvem dificuldade de leitura e até manchas no campo visual central ou paracentral”, alerta Ana Karina.

A especialista, aliás, recomenda que antes do início do tratamento com essas drogas – mesmo com prescrição de um reumatologista e infectologista – e após um ano de ingestão, o paciente realize alguns exames de acompanhamento da saúde ocular como avaliação da acuidade visual, campo visual e OCT de mácula. Ela aproveita para reforçar que pessoas obesas, com estatura baixa, idosos, com doença renal ou hepática ou de alguma retinopatia prévia possuem ainda mais riscos de desenvolver problemas com o uso da cloroquina e/ou hidroxicloroquina.

 

Sociedade Brasileira de Infectologia –

 Em tempo, a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) considera o uso da hidroxicloroquina para tratamento da COVID-19 como uma “terapia de salvamento experimental”. Seu uso deve ser individualizado e avaliado pelo médico prescritor, preferencialmente com a participação de um infectologista, avaliando seus possíveis efeitos colaterais e eventuais benefícios. Entre os principais efeitos adversos, destacam-se: discrasia sanguínea, distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos, diarreia), fraqueza muscular, labilidade emocional, erupções cutâneas, cefaleia, turvação visual, descoloração do cabelo ou alopecia e tontura.

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