“Pelos Ares: 15.042 km de Brasil” chega à CAIXA Cultural Recife

A exposição propõe uma reflexão sobre a relação do homem e o meio exterior a partir de registros aéreos

Foto Rafael Kohirausch Facundo

Lu Marini é um dos mais importantes expedicionários de paramotor do mundo: promoveu expedições em 22 estados brasileiros durante nove anos, entre 2009 e 2016. A CAIXA Cultural Recife apresenta fotos, vídeos e objetos coletados pelo aviador, na exposição Pelos Ares: 15.042 km de Brasil, que será inaugurada no dia 23 de novembro de 2017, às 19h. Também integra a exposição um simulador de realidade virtual para aproximar a pessoa visitante da sensação de voar. Marini estará na abertura da mostra e fará, no dia 25/11, das 15h às 16h, uma palestra guiada para o público presente. A visitação à mostra tem entrada franca e pode ser feita de 24 de novembro até o dia 28 de janeiro de 2018, sempre de terça a sábado, das 10h às 20h, e aos domingos, das 10h às 17h. A classificação indicativa é livre.

Com curadoria de Gabriela Alejandra Nebot, a exposição aborda seis lugares centrais: Atlântico, Pantanal, Transamazônica, Rio Tietê, Rio São Francisco e Rio Doce. O conteúdo retrata o litoral brasileiro de norte a sul, a vida selvagem no Pantanal, a realidade da rodovia mais polêmica do país, o sofrimento de quem vive às margens de um dos rios mais poluídos do mundo, as diferenças de outro rio com seus encantos e, por fim, aquela que é a maior tragédia ambiental da história brasileira, o rompimento de uma barragem na região de Mariana (MG), que despejou no Rio Doce mais de 60 milhões de metros cúbicos de lama tóxica.

São percursos que somam milhares de quilômetros formados por várias realidades, culturas e ecossistemas. Uma exposição com surpresas e sensações que seguem além da estética ao possibilitar a análise de questões ambientais, sociais e econômicas do país.

A pessoa visitante vai viajar em meio a paisagens vistas de cima. Entre o belo e o devastador, estão as histórias de quem encontra na simplicidade uma forma de viver, gente que muitas vezes é vítima de descasos sociais e ambientais. Este é, de fato, o objetivo maior da exposição: permitir se colocar no lugar do outro enquanto promove a reflexão e alimenta a busca por um mundo melhor, mais justo e humano.

Uma nova perspectiva do Brasil

Para Lu Marini, o mundo é feito de cores. Sua perspectiva, que já atingiu 5.013 metros de altitude, captou vulcões, rios, florestas, praias, montanhas, caminhos abertos nas entranhas do solo, cidades de aço e concreto, natureza à flor da pele e também descasos e destruição ao meio ambiente.

Junto à emoção e à adrenalina da aventura, a urgência da preservação ambiental é uma constante. Ao mesmo tempo em que essa consciência deslumbra diante de paisagens intocadas pelo ser humano, também desnuda a tragédia que dilacera e atormenta paraísos a serem perdidos no cotidiano indiferente das civilizações. Mas a jornada também é pulsante. Realidades distintas, encontro com pessoas feitas de histórias e lembranças e muito a se contar e recontar.

No alto, em seu paramotor, Marini registra a complexa relação entre homem e natureza, seja a de si próprio como mero espectador, seja como o agente que observa e analisa a ocupação humana e suas consequências para o planeta. Em terra firme, surgem outras descobertas, o contato com novas maneiras de enxergar e compreender o cotidiano. Personagens que, imersos em sua própria cultura, ganham voz para um público.

“Sempre vou me inspirar nos meus sonhos de infância, no sonho de Dédalo, Ícaro de tantos homens e mulheres que desejaram cruzar o céu ao lado dos pássaros”, explica Lu Marini. “Foi minha curiosidade, o amor pela natureza, a sede por descobertas e minha paixão por voar que me levaram a jornadas incríveis e a encontros inesquecíveis”, ressalta.

Sobre Lu Marini

Lu Marini nasceu no dia 8 de outubro em Itu, cidade do interior de São Paulo. Administrador de Empresas de formação com MBA em Marketing, consolidou sua carreira profissional nas áreas de Consultoria, Comunicação e Marketing. Com passagem por grandes corporações, fundou a própria empresa em 1990, direcionando suas atividades para marketing e produções. Hoje, atua como diretor, produtor e protagonista de diversos documentários para a televisão, entre eles a série de expedições Rastreando e Pousos e Decolagens.

 

No esporte, é piloto instrutor master de paramotor, recordista continental de altitude e único piloto do mundo a sobrevoar um vulcão em atividade (Popocatépetl/México). Já formou mais de 450 pilotos nos últimos anos, além de ser instrutor da tropa de elite da Marinha do Brasil.

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