Terapias manuais auxiliam no diagnóstico de doenças

A depender da disfunção do paciente, técnicas podem também evitar a realização de exames

Durante muito tempo, a fisioterapia foi vista como um meio de reabilitação do organismo. Atualmente, no entanto, por meio de técnicas terapêuticas manuais, o fisioterapeuta pode não só tratar doenças, como também as prevenir.  Um dos princípios das terapias manuais é que o paciente deve ser avaliado como um todo, investigando-se dores e disfunções, com o intuito de detectar anormalidades do movimento, testar tecidos estruturais anatômicos e formar, em seguida, um programa de tratamento relacionado diretamente com os achados da avaliação.

O fisioterapeuta Eduardo Vieira é um dos profissionais que tem utilizado, em seus pacientes, terapias manuais de origem americana e francesa, como osteopatia, quiropraxia e o método Busquet. “O nosso sistema neuromusculo esquelético se divide em componentes musculares, articulares e neurais. E para cada um deles, a terapia manual possui ferramentas específicas”, revela. Segundo o especialista, a realização de muitos exames pode ser evitada se as pessoas criarem a cultura de fazer, antes de qualquer decisão, um diagnóstico com um bom fisioterapeuta. “A terapia manual tem sido considerada um elemento-chave nas recentes diretrizes internacionais para o tratamento da dor lombar, por exemplo, pois 80% desse tipo de dor é inespecífico ou não se sabe de onde provém”.

Outro problema muito comum no brasileiro que tem sido diagnosticado e tratado apenas com essas técnicas da fisioterapia é a dor no pescoço, que pode ser provocada por posições erradas na hora de dormir, pelo excesso de horas olhando para o celular com a cabeça baixa, pela má ergonomia no trabalho, dentre outros. “Precisamos pensar que alguns exames são mais invasivos e custarão mais caro para o paciente. É um benefício para ele apostar em uma análise clínica prévia das suas disfunções com um fisioterapeuta, para depois decidir como será o tratamento e se haverá necessidade de se realizar os exames complementares em máquinas”, sugere Vieira.

Com a premissa de que tudo está interligado no corpo, o especialista consegue solucionar casos em que o paciente não consegue curar dores, por meio dessa análise mais ampla do corpo. “Já atendi pessoas com fortes dores lombares, cujos exames não identificavam patologias graves nesta região e que conseguimos achar a causa, realizando testes para descartar as lombalgias específicas com radiculopatias – protusão e extrusão discal -malignidade, fraturas dentre outros. Nos casos em que o conjunto de testes dá positivo, classificamos como red flag – bandeira vermelha, na qual, sim, haverá necessidade de um exame complementar”, diz o fisioterapeuta.

Ele explica que também já houve situações em que as dores lombares eram decorrentes da má alimentação, provocando um aumento de gases na região do ventre, o que, por sua vez, acabava alterando a pressão intra-abdominal, gerando no corpo fatores compensatórios, com a extensão e o aumento do tônus da coluna lombar, por exemplo. Isso demonstra como o corpo é totalmente interligado e as dores, muitas vezes, podem ser provocadas pelo que não se imagina.

 

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