Atividades lúdicas e físicas nas férias de janeiro ajudam a reduzir os efeitos do ócio infantil
Com a chegada das férias escolares, um desafio comum surge para famílias e responsáveis: como evitar o excesso de tempo ocioso das crianças dentro de casa. Nem sempre é possível investir em viagens ou passeios fora da rotina, o que torna ainda mais importante pensar em alternativas acessíveis, criativas e significativas para esse período.
Atividades planejadas para estimular diferentes áreas do desenvolvimento infantil podem ser incorporadas à rotina familiar, respeitando a realidade de cada casa. A proposta é transformar o tempo livre em uma oportunidade de aprendizado, diversão e fortalecimento de vínculos, sem a necessidade de grandes custos.
“Para a criança, a previsibilidade e a organização do tempo trazem segurança emocional. Do ponto de vista neuropsicopedagógico, sabemos que o cérebro infantil se desenvolve a partir das experiências vividas, e o brincar intencional amplia conexões cognitivas, motoras e emocionais, mesmo fora do ambiente escolar”, explica Luciane Galvão, neuropsicopedagoga da equipe da Educação Infantil do Colégio Motivo.
Junto das atividades cognitivas e artísticas, o movimento corporal também é fundamental no desenvolvimento das crianças. A orientação é priorizar espaços mais amplos e ambientes externos, como praças, parques e áreas de convivência, que favorecem a socialização, o contato com outras crianças e a atividade física.
Segundo Erlon Maciel, coordenador de esporte do Colégio Motivo, a mediação de um adulto é fundamental para garantir a segurança e ampliar as possibilidades do brincar ativo. “Cadeiras podem se transformar em obstáculos, garrafas viram alvos de um boliche feito com bola de papel, cordas podem ser usadas como caminhos de equilíbrio e almofadas como desafios para deslocamentos com um pé só. O adulto organiza o espaço, propõe regras simples e garante que a atividade seja segura e prazerosa”, explica.
A construção da rotina também deve considerar a percepção da criança sobre o que é divertido. “Quando a atividade é pensada junto com a criança, variando estímulos, ela passa a enxergar esse momento como desejo, e não como obrigação. Mesmo quando está sozinha, a criança utiliza o imaginário para dar novos significados ao espaço e às propostas”, ressalta o coordenador.
Essas iniciativas se apresentam ainda como alternativas mais saudáveis ao uso excessivo de telas, o recurso mais comum quando faltam opções de entretenimento durante as férias.
“A redução do uso de telas acontece de forma mais saudável quando oferecemos alternativas significativas, e não apenas proibições. Quando a criança encontra propostas interessantes, que envolvem movimento, imaginação, participação da família e desafios adequados à sua idade, a tela deixa de ser o principal recurso. O adulto tem um papel mediador fundamental, validando o brincar como algo valioso”, destaca a neuropsicopedagoga.
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