Galeria Marco Zero apresenta ‘O Sertão: somos muitos’, primeira exposição individual de Juraci Dórea em Pernambuco
A Marco Zero dá início ao seu programa artístico de 2026 com a exposição “O Sertão: somos muitos”, de Juraci Dórea, que será aberta ao público no dia 21 de janeiro, às 19h. Com curadoria de Galciani Neves, a mostra é a primeira individual do artista baiano no Recife e reúne mais de 120 obras, entre inéditas e produções das décadas 1970 e 1980, em fotografia, escultura, desenho e pintura. Nascido em 1944 em Feira de Santana, onde vive e produz, Dórea parte do sertão para articular a cultura popular e a arte contemporânea, perpetuando e tensionando questões relativas à memória e territorialidade, suas e do povo sertanejo.
Ao longo de mais de 60 anos de produção artística, Juraci Dórea desenvolveu uma poética fincada nos símbolos e vivências de sua terra natal, povoando seu trabalho com a gente, fauna, flora, mitos e possibilidades criativas que o Sertão evoca. O artista tem seu trabalho reconhecido nacional e internacionalmente, com participações nas bienais de Veneza (1988), São Paulo (1987 e 2021), Havana (1989) e Mercosul (2015), entre outras prestigiadas mostras por diferentes cidades do Brasil e do mundo, em países como Japão, França, Portugal e Estados Unidos.
Formado em arquitetura, manifestou interesse pela arte desde cedo, em um processo criativo instigante, a partir de diferentes linguagens e técnicas, como escultura, pintura, desenho, fotografia, cinema e poesia. Como aponta a curadora Galciani Neves, suas obras “traduzem o complexo contexto sócio-cultural ambiental do interior baiano e versam sobre as relações de boiadeiros, agricultores, tropeiros, feirantes e todas as comunidades que lidam com as condições, vegetação, bichos e clima do bioma da Caatinga”. Ao mesmo tempo em que narra simbolicamente o Sertão, Juraci também trabalha suas materialidades, como couro, madeiras, entre outros.
Um dos grandes destaques da exposição é a apresentação de trabalhos do “Projeto Terra”, iniciado por Dórea em 1982 e ainda em curso. Nele, o artista desenvolve obras que abordam o imaginário e as dinâmicas da cultura e da natureza sertaneja, pensadas não só a partir da região, mas para ela. As esculturas, murais e quadros do projeto são instalados nos territórios do Sertão da Bahia, com a paisagem e seus habitantes como interlocutores. Registros fotográficos de algumas dessas criações, assim como da série “Arte para ninguém”, estarão presentes na mostra.
Também em exibição estarão objetos, esculturas, desenhos em carvão, serigrafias, obras em azulejos e telas. Muitos desses trabalhos são inéditos e enfatizam o interesse de Juraci Dórea pela experimentação, combinando materiais como cerâmica e couro para criar composições que dialogam com a história do Nordeste – como na tela “Ainda Canudos” –, e expandem seus símbolos, desafiando ideias estáticas sobre o sertão como espaço físico e imaginado.
Ao trazer pela primeira vez uma exposição individual de Juraci Dórea ao Recife, evidenciando a pluralidade e grandeza de sua obra, a Marco Zero promove um panorama robusto de cerca de cinco décadas da produção de um dos principais artistas contemporâneos da Bahia. Para Galciani Neves, as obras presentes em “O Sertão: somos muitos” propõem, a partir de sua diversidade, “uma incursão bastante ampla sobre a poética do artista que decidiu fincar pés, corpo e arte no Sertão.”
Serviço:
Exposição O Sertão: somos muitos, de Juraci Dórea
Galeria Marco Zero – Av. Domingos Ferreira, 3393, Boa Viagem
Abertura: 21 de janeiro de 2026, às 19h
Visitação: de segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 17h
Até 05 de março de 2026
Entrada franca
Informações: (81) 98262-3393 | www.galeriamarcozero.com | @galeriamarcozero
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