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Modelos de Trabalho Pós-Pandemia: Equilibrando Produtividade e Engajamento

A pandemia de Covid-19 forçou empresas e colaboradores a se adaptarem rapidamente ao trabalho remoto. Investimentos em novas tecnologias e alto engajamento tornaram essa transição bem-sucedida, com muitos especialistas observando um aumento na produtividade individual dos trabalhadores remotos, que encontram maior foco e concentração em casa devido a menos barulho e interrupções externas.

Segundo a pesquisa Engaja S/A, realizada entre agosto e outubro de 2023, 69% dos entrevistados estão satisfeitos com o trabalho a distância, 61% preferem o modelo híbrido e 51% o presencial. No entanto, a Associação Brasileira de Recursos Humanos revelou que apenas 4,2% das empresas operam integralmente em home office, contra 23,9% em 2022. Isso levanta questões sobre a discrepância entre a preferência dos colaboradores e as práticas das empresas.

A produtividade e o engajamento dos colaboradores, sejam remotos ou presenciais, dependem do ambiente de trabalho. Em home office muitos enfrentam interrupções de filhos, animais, baixa iluminação e barulho, afetando sua produtividade. Além disso, com o trabalho remoto muitas empresas notaram uma desaceleração na aprendizagem. Interações espontâneas podem interferir nas tarefas, mas também aceleram a resolução de problemas e atualizam informações, reduzindo o número de falhas e retrabalhos.

A pesquisa também revelou índices de desengajamento: 8% no ambiente presencial, 7% no modelo híbrido e 5% no trabalho remoto. Empresas que exigem a volta presencial enfrentam impactos, em seus casos mais graves, pedidos de demissões. A geração Z mostra-se cada vez mais inflexível, abrindo espaço para uma força de trabalho mais madura (40-55 anos).

Empresas que adotaram o modelo remoto estão sendo desafiadas a investir em happy hours, encontros mensais e eventos. Da mesma forma, empresas que adotam o trabalho presencial precisam remodelar sua estrutura, priorizando ambientes de integração, áreas para concentração e itens que promovam conforto e bem-estar à equipe.

O engajamento e a produtividade vão muito além das horas trabalhadas. Eles revelam a capacidade da equipe em “vestir a camisa” da empresa e entregar mais do que foram contratados para fazer. Os desafios da liderança em acompanhar a equipe nesses diversos cenários são grandes, mas a busca pelo melhor cenário, considerando os tipos de atividades realizadas, o nível de dependência entre atividades, o momento da empresa, o orçamento disponível, o perfil da equipe e do produto ou serviço, fará desse líder um profissional cada vez mais preparado e antifrágil.

Unir profissionais da geração Z, que têm maior facilidade com tecnologia e buscam propósito no que fazem, a colaboradores mais maduros, que prezam por um ambiente seguro, são mais estáveis e possuem vasta experiência de vida, pode gerar uma equipe de sucesso. Estimule o estudo e a aprendizagem da equipe 40+ e a maior flexibilidade e capacidade de escuta dos integrantes mais jovens. Tenho certeza de que colherá bons frutos.

Jessica Couto – Diretora no Grupo Trino e especialista em Liderança e Gestão Empresarial

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