Desenvolvimento motor durante o isolamento social

 

A professora convidada da pós-graduação em Aprendizagem e Desenvolvimento Motor, da Faculdade IDE, Maria Teresa Cattuzzo, explica como continuar estimulando o sistema neuro motor mesmo durante este esse período de isolamento social

 

Os movimentos são fundamentais para nossa sobrevivência e seu bom desenvolvimento é de extrema importância. “Quando a gente observa os movimentos humanos, o que não se vê imediatamente é o que ocorreu antes, nesse caso as ações dos mecanismos que operam via Sistema Nervoso Central, o perceptual, como visão e audição, e o mecanismo de tomada de decisão (o quê movimentar, para onde, com quem, em que momento). O movimento observado, então, é o resultado da nossa intenção em nos movimentar e do nosso controle neuromuscular”, explica a professora convidada da pós-graduação em Aprendizagem e Desenvolvimento Motor, da Faculdade IDE , Maria Teresa Cattuzzo.

“É fantástico imaginar que não se poderá, nunca, prever quantos e quais movimentos podemos realizar: nossa criatividade na geração de movimentos é incomensurável. Assim como novas palavras podem ser geradas ou ressignificadas, também nossos movimentos podem ser sempre criados, aprimorados, reorganizados. A importância fica evidente quando, por algum motivo, somos privados de nos movimentar, por causa de um pé ou braço quebrados ou uma doença que nos deixa prostrados. Aí, nesse momento, percebemos que nossa liberdade de ir e vir, nossa comunicação, alimentação e relação com o mundo são intermediadas pelo movimento. O movimento nos faz humanos”, esclarece a docente sobre a importância.

É importante ficarmos atentos aos estímulos do desenvolvimento motor ainda na infância. “Todos nós somos em parte o que trazemos conosco – nossa herança genética e traços – e em parte somos o mundo que vivemos. É na complementariedade entre ‘biologia’ e ‘cultura’ que conseguimos explicar o comportamento humano, incluindo aí o motor. Devemos proporcionar condições para que a criança seja desafiada em sua competência motora. É na superação desses ‘desafios motores’ que o desenvolvimento motor acontece de forma plena e saudável”, esclarece Cattuzzo.

Oportunizar às crianças as práticas de algumas atividades também são aconselháveis neste processo. “Ambientes formais para a prática são as escolinhas de esportes, dança e lutas, a aula de Educação Física na escola. Mas, para além disso, o uso do tempo de lazer com atividades físicas, pedalando, brincando na praia, brincando de jogos eletrônicos com desafios motores, como a dança e os esportes, são meios de provocar nossa competência motora e, com isso, estimular o desenvolvimento motor”, instrui a professora convidada da pós-graduação em Aprendizagem e Desenvolvimento Motor, da Faculdade IDE.

Estimular o desenvolvimento motor é para todos, não apenas para crianças ou aqueles que possuem alguma necessidade especial. “É para crianças, para jovens, para adultos, para idosos, sejam qualquer um deles portadores ou não de deficiência física, mental ou perceptual. Não é porque ficamos adultos que nosso processo de desenvolvimento cessa: em todas as fases de vida há lugar para aprimorarmos nossa competência para o movimento”, revela a professora da pós-graduação em Aprendizagem e Desenvolvimento Motor.

Muitas pessoas têm dúvidas sobre quando podem começar a colocar os filhos para estimular o sistema motor, mas pode ser feito ainda cedo. “Crianças pré-escolares já tem condições (a) perceptuais, para focar a atenção, mesmo que por pouco tempo, (b) cognitivas, para seguir regras simples e (c) motoras, para controlar seus movimentos, executando habilidades motoras básicas, o que as capacitam  para fazer frente aos desafios motores. Isso fica evidente nas aulas de natação, balé, capoeira, ginástica,  para crianças a partir dos 3 anos”, esclarece.

Os momentos de lazer dos pequenos também podem ser oportunidades de testar as suas habilidades motoras. “Os parques, praças, condomínios, espaços com equipamentos como escorregador, balanços e outros, são frequentados por crianças que tem, nesses ambientes, oportunidades para testarem sua competência motora”, esclarece a especialista”, orienta a professora Maria Teresa Cattuzzo.

Quando este desenvolvimento não é estimulado ou não acontece de forma adequada pode trazer prejuízos para a saúde. “Há um rol de impactos negativos para a saúde, quando a competência para o movimento é desprezada. A literatura tem mostrado que a baixa competência motora está associada a menores índices de aptidão física (força muscular, aptidão cardiorrespiratória), ao sobrepeso e obesidade e menores níveis de atividade física; também, crianças com baixa competência motora estão mais sujeitas ao bulling na escola”, alerta Cattuzzo.

 

Quando saber que precisa de ajuda profissional?

“A observação da competência motora e da progressão nessa competência é um item que precisa ser colocado na agenda dos pais e cuidadores. Espera-se que algumas crianças sejam rápidas em suas conquistas motoras, e que outras sejam mais lentas. Isso é o que nos faz únicos: cada um de nós tem um ritmo de desenvolvimento próprio. Mas também espera-se observar a progressão na competência motora ao longo do tempo. Observar sua criança, interagir com ela colocando-lhe desafios motores, podem levar os pais e cuidadores terem uma noção do progresso ou falta dele. O profissional que trata e faz diagnoses sobre desvios do desenvolvimento normal é o pediatra. Profissionais que trabalham com o movimento humano como fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e professores de educação física, em conjunto com o profissional médico, podem decidir as melhores intervenções”, indica a professora.

 

Atividades para auxiliar o desenvolvimento motor durante o isolamento social

Com a rápida propagação do novo coronavírus, algumas atividades que ajudam neste sentido precisaram ser pausadas e o isolamento pode trazer prejuízos para quem não procura alternativas em casa. “O isolamento, para uma grande proporção de famílias, levou a uma diminuição das oportunidades de prática em locais amplos. Mas isso não deveria significar aumento do comportamento sedentário. Mesmo em espaços reduzidos, sempre há alternativas para jogos corporais, inclusive envolvendo os pais. Profissionais de Educação Física tem veiculado aulas e sugestões de atividades na internet”, explica Cattuzzo. Sobre a pós-graduação em Aprendizagem e Desenvolvimento Motor, da Faculdade IDE: https://www.faculdadeide.edu.br/pos-graduacao/aprendizagem-e-desenvolvimento-motor-recife/.

 

 

A professora deu algumas dicas para este período:

  • Mude sua perspectiva sobre a competência motora infantil: não há movimentos certos ou errados, mas sim o envolvimento real para descobrir a melhor maneira de resolver um desafio motor;
  • Os espaços das casas, possivelmente, passarão por uma reorganização, de modo a tornar mais fácil as atividades humanas. Tudo bem: no final, a mudança pode ser muito bem-vinda!
  • Toda e qualquer atividade com crianças deve ser precedida por regras de segurança: o cuidado consigo e com o outro não é negociável!
  • Brincadeiras infantis conhecidas, como amarelinha, podem ser feitas por todos, desde que as regras sejam bem pensadas. Ora, se esta brincadeira parece simples para os mais velhos, coloque a regra de realizar a tarefa realizando cálculos matemáticos, como soma ou subtrações!
  • Pode-se alternar as “lideranças” nas atividades: por sorteio ou outro critério, organiza-se quem vai ser o líder ao longo dos dias;
  • Toda atividade tem começo, meio e fim. No começo organiza-se o espaço e no fim, também! Pode ser parte da brincadeira!

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