Crianças precisam recuperar “tempo perdido” durante isolamento social, afirma psicóloga

Apesar de necessário, o isolamento social imposto pela pandemia se mostrou um grande desafio para todo mundo. E para as crianças as dificuldades foram ainda maiores. A mudança brusca na rotina e a falta de interação com outros núcleos além da família, principalmente na escola, resultaram em muitos casos de ansiedade e depressão, para além das perdas no desenvolvimento cognitivo e motor, principalmente para os mais novos. Agora, com o retorno seguro das aulas presenciais, especialistas apontam que é hora de recuperar um pouco do “tempo perdido”.

“Muitas crianças só tiveram contato com familiares mais próximos nesse período todo de um ano. Em vários casos, apenas com pai e mãe. No entanto, é vivendo em sociedade que a criança desenvolve suas principais habilidades socioemocionais e cognitivas, através das interações, do correr, do pular, do experimentar. Por um longo tempo, isso não foi possível. Agora, com a chegada da vacina para uma parte da população, inclusive para os profissionais da educação em Pernambuco, e diante dos protocolos rígidos de segurança que as escolas implantaram, é possível buscar alternativas para enriquecimento da rotina dos pequenos”, aponta Luciana Hodges, doutora em Psicologia Cognitiva.

De acordo com a psicóloga, uma estratégia seria investir nos programas de horário integral que diversas escolas já oferecem. “Geralmente, o programa integral oferece contraturnos em dias específicos da semana, onde o aluno, ao invés de retornar para casa após o período normal de aulas, permanece no ambiente escolar e é estimulado a participar de atividades recreativas e pedagógicas que serão enriquecedoras tanto para o desenvolvimento cognitivo quanto emocional”, explica Luciana.

O Colégio CBV é um dos que oferecem aos pais a possibilidade de deixarem seus filhos no horário integral. O programa oferece, para alunos do Infantil 2 ao 5º ano do Ensino Fundamental, além das atividades recreativas e brincadeiras ao ar livre, oficinas pedagógicas, de linguagens, artes, esportes, teatro e música. “No contraturno, os estudantes do integral também contam com apoio para realização das tarefas de casa e orientação aos estudos nas semanas de prova para os mais velhos”, afirma Natália Leite, coordenadora do Programa Integral do CBV.

 Segundo Natália, as atividades propostas no sistema integral promovem a socialização, interação e inclusão da criança, e ajudam no desenvolvimento da autonomia e do senso de responsabilidade com os estudos. “Além dos benefícios para os pequenos, que ficam em ambiente seguro, com monitoramento constante e menos exposição a telas, os pais também ficam mais tranquilos para cumprirem suas rotinas de trabalho sabendo que seus filhos estão aproveitando o tempo da melhor maneira possível”, finaliza.

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